Morre Sheikh Hamzat Ariyibi, líder religioso de Ilorin, aos 65 anos
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Israel Moura Sociedade 14 Comentários

Quando Sheikh Hamzat Yusuf Abdulraheem Ariyibi, fundador e imã do Imam Hamzat College of Education faleceu pouco depois da ida à Juma'at Ilorin, Kwara State, a comunidade muçulmana local ficou em choque. O imã, conhecido carinhosamente como Babani Ayegbami, tinha 65 anos e deixava um legado de ensino e filantropia que atravessava gerações.

Contexto da vida de Sheikh Hamzat Ariyibi

Filho de uma família de estudiosos, Sheikh Hamzat nasceu em 1960 na cidade de Ilorin, capital de Kwara. Em 1995 fundou o Imam Hamzat College of Education no bairro de Oko‑Olowo, visando oferecer ensino islâmico de qualidade para jovens da região norte‑central da Nigéria. A instituição, hoje com mais de 2.000 alunos, tornou‑se referência em estudos corânicos, jurisprudência (fiqh) e ciências sociais.

A trajetória do imã incluiu múltiplas funções: professor universitário, conselheiro espiritual de autoridades locais e presidente da associação de estudiosos de Kwara. Seu estilo conciliador e suas aulas práticas atraíram não só muçulmanos, mas também membros de comunidades cristãs que buscavam compreender melhor a fé islâmica.

Detalhes da morte e reações oficiais

Segundo a Ilorin.info, o imã foi atendido em casa após sentir um mal súbito logo após a oração das 13h30; o falecimento foi confirmado às 14h00 do mesmo dia, 12 de setembro de 2025. A notícia se espalhou rapidamente nas redes locais.

O governador de Kwara, AbdulRahman AbdulRazaq, publicou em seu site oficial um comunicado expressando profunda tristeza: "Estou consternado com a perda de um eminente estudioso muçulmano e de um líder espiritual cuja sabedoria contribuiu para o crescimento e estabilidade do Estado". O texto, datado de 13/09/2025, recebeu milhares de curtidas nas redes.

Já o Emir de Ilorin, Ibrahim Sulu‑Gambari, CFR, declarou em áudio ao canal da Dailyhibiscusnews que "a partida do Sheikh Hamzat Ariyibi deixa um vazio irreparável na história espiritual de nosso povo".

Repercussão na comunidade religiosa

Nas mesquitas de Ilorin, as sessões de oração foram interrompidas para leituras de versos do Alcorão em memória do falecido. Várias organizações muçulmas, como a Jama’atul‑Uloom, organizaram orações coletivas de 40 dias, prática tradicional de luto que se estenderá até meados de outubro.

Alunos e ex-alunos do Imam Hamzat College compartilham nas redes sociais fotos antigas, mensagens de gratidão e promessas de continuar o trabalho do mestre. Um ex‑discípulo, Olamide Adesina, comentou: "Ele não era só um professor; era um pai espiritual que nos ensinou a viver com retidão".

Impacto educacional e social

Impacto educacional e social

O falecimento do fundador levanta questões sobre a governança da instituição. Segundo o conselho administrativo, o vice-reitor Dr. Abdul‑Kareem Oloyede assumirá interinamente a direção até que uma assembleia escolha um sucessor permanente. A continuidade dos programas de bolsas de estudo, que beneficiam cerca de 300 estudantes por ano, está garantida, afirma o secretário da escola.

Especialistas em educação islâmica apontam que a perda de uma figura como Sheikh Hamzat pode retardar iniciativas de diálogo inter-religioso que ele ajudou a promover. A professora da Universidade de Ilorin, Drª Fatima Bello, observa: "Precisamos de mais líderes que unam tradição e modernidade; o Sheikh era exatamente esse ponto de convergência".

Próximos passos e legado

Um funeral de Estado está programado para 16 de setembro no Cemitério Central de Ilorin, com participação de autoridades federais, estaduais e líderes religiosos de todo o país. O governo de Kwara prometeu criar um fundo de apoio à família do imã e ampliar o patrocínio à educação islâmica.

Enquanto a comunidade lamenta, os ensinamentos de Sheikh Hamzat Ariyibi continuam vivos nos corredores de sua faculdade e nos corações de milhares de muçulmanos que consideram sua missão como um farol de paz. Como ele mesmo dizia em seus sermões: "A verdadeira riqueza está no saber que compartilhamos".

Perguntas frequentes

Qual foi a contribuição mais marcante do Sheikh Hamzat Ariyibi para a educação em Kwara?

Ele fundou o Imam Hamzat College of Education, que oferece ensino islâmico integrado a disciplinas modernas, formando mais de 2.000 estudantes e mantendo bolsas para 300 jovens de baixa renda.

Como a comunidade muçulmana está vivendo o período de luto de 40 dias?

Mesquitas em Ilorin têm realizado orações diárias, sessões de recitação do Alcorão e encontros de apoio emocional; o Emir também organizou um jantar comunitário em homenagem ao Sheikh.

Quem assumirá a liderança do Imam Hamzat College após a morte do fundador?

O vice-reitor Dr. Abdul‑Kareem Oloyede ficará à frente da instituição de forma interina, enquanto o conselho administrativo prepara a eleição de um novo reitor.

Qual foi a reação oficial do governador AbdulRazaq?

Ele publicou um comunicado lamentando a perda, descrevendo o Sheikh como "uma dor profunda para a comunidade muçulmana e para o estado de Kwara", e anunciou apoio financeiro ao colégio.

O que a morte do Sheikh significa para o diálogo inter‑religioso na Nigéria?

Especialistas temem que a ausência de sua voz conciliadora dificulte iniciativas de paz entre muçulmanos e cristãos; contudo, seu legado inspira novos líderes a continuarem o trabalho de entendimento mútuo.

Comentários
Gustavo Tavares
Gustavo Tavares

É triste demais ver o fim de uma era onde o ensino se misturava com a verdadeira moralidade, como se cada aula fosse um ato de justiça divina.
O Sheikh Hamzat mostrava que liderança espiritual não precisa ser autoritária, mas sim um exemplo de integridade que muitos ainda precisam seguir.
Que seu legado sirva de bússola para quem ainda se perde nas trevas da indiferença.

Workshop Factor
Workshop Factor

O Imam Hamzat foi, antes de tudo, um produto de um sistema educacional falho que ainda insiste em perpetuar desigualdades estruturais.
Ele tentou, de maneira pontual, enxergar além das fronteiras sectárias, mas acabou se tornando apenas mais um símbolo usado pelos meios de comunicação para encobrir falhas governamentais.
A sua fundação de uma faculdade, embora louvável, pode ser interpretada como um esforço de autopromoção mascarado de altruísmo.
É impossível ignorar que a maioria dos beneficiários das bolsas ainda provém de famílias já bem posicionadas na elite local.
Além disso, a dependência de financiamento estatal cria uma rede de influência que compromete a independência acadêmica.
Os alunos que ingressam naquele ambiente são, frequentemente, moldados para reproduzir a mesma narrativa conservadora que o próprio Sheikh defendia.
Tal modelo educacional não favorece a inovação nem o pensamento crítico, dificultando o surgimento de novas lideranças verdadeiramente transformadoras.
O fato de autoridades políticas comparecerem aos eventos da instituição evidencia o uso instrumental da religião como ferramenta de legitimação do poder.
Esse tipo de relação simbiótica entre clero e estado costuma gerar mais benefícios para a classe política do que para a população marginalizada.
Quando a comunidade lamenta a morte do Sheikh, muitas vezes o faz sem questionar quem realmente se beneficia da sua imagem.
É imprescindível analisar o contexto econômico que sustenta tais organizações, pois o aparente altruísmo pode encobrir práticas de captação de recursos que favorecem poucos.
Além disso, a falta de transparência na administração dos fundos de bolsas deixa margem para suspeitas de favorecimento e clientelismo.
Se a comunidade realmente valoriza a educação, deveria exigir relatórios claros e auditorias independentes, ao invés de aceitar respostas vagas de representantes religiosos.
Não se pode negar que o legado educacional tem aspectos positivos, mas é fundamental apontar as contradições que alimentam um ciclo de dependência e exclusão.
Em síntese, a morte de Hamzat expõe fragilidades profundas de um sistema que, embora bem intencionado em aparência, segue amarrado a dinâmicas de poder e privilégio.

Júlia Rodrigues
Júlia Rodrigues

O discurso sobre a partida do Sheikh tá cheio de buzzword de inclusão mas na prática não rola mudança real os termos de ‘diálogo inter-religioso’ são só marketing institucional que nada resolve

Marcela Sonim
Marcela Sonim

Que tristeza profunda 💔, o Sheikh Hamzat foi um pilar na comunidade e suas lições vão ecoar por gerações 🌟. Seu trabalho no colégio trouxe oportunidade e esperança para tantos jovens, e sua memória deve ser honrada com ações concretas, não só palavras vazias 🙏.

Jaqueline Dias
Jaqueline Dias

Prezados, ao refletirmos sobre a partida do ilustre Sheikh Hamzat, devemos reconhecer que sua contribuição transcende meras atividades pedagógicas; ele personificou a síntese entre tradição clássica e pensamento progressista, algo que rara vez se observa nos círculos acadêmicos contemporâneos.
Assim, é fundamental que mantenhamos o seu legado vivo, apoiando iniciativas que fomentem não só o ensino religioso, mas também o debate crítico que ele tão bem cultivou.

Raphael Mauricio
Raphael Mauricio

Sua partida deixa um vazio que palavras não preenchem.

Anderson Rocha
Anderson Rocha

Mesmo que o Sheikh fosse um líder religioso, sua influência se estendeu até os corredores da política, e não podemos ignorar como isso moldou decisões que afetam até mesmo a economia local.

Gustavo Manzalli
Gustavo Manzalli

O legado do Hamzat era como um arco‑íris de conhecimento, cada cor representando uma disciplina que se entrelaçava para formar uma tapeçaria vibrante de saber; sua ausência deixa o céu da educação um tanto quanto nublado.

Paulo Viveiros Costa
Paulo Viveiros Costa

É de laudar a memoria d'esse cara q fez tanto pro povo, ele ensinou q a verdade vem do coração e não duma agenda política.

Janaína Galvão
Janaína Galvão

É impossível não notar que, logo após a morte do Sheikh, surgiram relatos de movimentações financeiras suspeitas na administração do colégio; afinal, quem controla o dinheiro controla o discurso, não é mesmo?
Além disso, as coincidências entre a data da sua partida e a aprovação de leis que restringem a autonomia das instituições religiosas são, no mínimo, desconcertantes, e merecem uma investigação profunda.

Pedro Grossi
Pedro Grossi

Vamos honrar o legado do Sheikh Hamzat continuando seu trabalho com dedicação e respeito; cada estudante pode ser um agente de mudança, como ele sempre ensinou.
É importante manter a transparência nas bolsas, mas também apoiar os professores que dão o melhor de si, mesmo que às vezes haja pequenos deslizes na burocracia.

sathira silva
sathira silva

O fim de um verdadeiro visionário deixa um eco que reverbera nas salas de aula do Imam Hamzat College; que possamos transformar a dor em determinação e seguir propagando a luz que ele tão generosamente espalhou.

Luciano Silveira
Luciano Silveira

Concordo com a análise detalhada apresentada anteriormente, mas acredito que o impacto positivo nas comunidades vulneráveis também merece destaque 😊. Talvez seja hora de equilibrar críticas com reconhecimento dos frutos colhidos.

Carolinne Reis
Carolinne Reis

Ah, claro, porque só o Sheikh poderia entender a “sintese entre tradição e progresso”, enquanto o resto do nosso país vive à sombra de políticas fracassadas – que surpresa! 🙄

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